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Sistema Volta e Hotelaria: o que muda para os hotéis em 2026
Tecnologia
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Portugal implementou recentemente um mecanismo que já existe noutros países europeus: o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), batizado de "Volta".

Segundo a Quercus, este sistema abrange cerca de 2,1 mil milhões de embalagens de bebidas de uso único consumidas anualmente no país — garrafas de plástico PET e latas de metal até 3 litros, com um depósito reembolsável de 10 cêntimos por embalagem.

Para quem trabalha em hotelaria, a questão que importa colocar é: afinal, o que muda para o meu hotel com o sistema Volta?

O canal HORECA está no centro do sistema Volta

De acordo com dados citados no Jornal Público, só no pequeno comércio, restauração e hotelaria existem cerca de 92 mil pontos de venda de bebidas abrangidas pelo sistema, num país que recebeu quase 29 milhões de turistas em 2025. O canal HORECA foi identificado como um dos maiores desafios operacionais do sistema Volta.

A verdade é que as regras para o canal HORECA dependem do tipo de consumo.  

Se a bebida for consumida no local — o que é o caso da grande maioria dos contextos hoteleiros — o depósito não é cobrado ao hóspede, mas o estabelecimento fica responsável pela armazenagem das embalagens e pela sua entrega nos pontos de recolha.  

Se a bebida for para levar, o depósito é cobrado no momento da compra e a responsabilidade da devolução passa para o cliente. Em qualquer dos casos, segundo a SDR Portugal, os estabelecimentos HORECA só são obrigados a aceitar embalagens que tenham vendido.

Bares de piscina e outlets de lazer: o impacto mais subestimado

Os outlets de lazer ao ar livre como bares de piscina, beach clubs, esplanadas, eventos privados são dos maiores consumidores de latas e garrafas de plástico num hotel. São precisamente as embalagens que o sistema Volta abrange, e são também os espaços onde a gestão destas embalagens é mais complexa.

Num restaurante, o hóspede termina a refeição na mesa e a equipa recolhe. Num bar de piscina, a lata pode acabar num espreguiçadeiro, à beira de água, ou esquecida no balcão durante horas. O volume é elevado, o espaço é disperso, e a equipa está frequentemente a gerir múltiplas prioridades em simultâneo.

Há três aspetos práticos a considerar nestes espaços:

  • Pontos de recolha dedicados: contentores identificados junto aos pontos de consumo, não apenas na entrada ou saída do espaço;
  • Briefing das equipas de F&B: colaboradores que saibam o que é o sistema Volta, o que abrange e como responder quando um hóspede pergunta;
  • Comunicação ao hóspede: uma mensagem ou um elemento visual junto ao bar é suficiente para orientar sem interromper a experiência.  

Estes outlets são também, muitas vezes, o rosto mais visível do hotel em termos ambientais. Plástico e latas acumulados num espaço de piscina ou praia privada contradizem qualquer discurso de sustentabilidade, independentemente das certificações que o hotel possa ter.

O vidro ficou fora do sistema Volta – pelo menos por agora

A limitação mais evidente do sistema é a exclusão total do vidro, um material altamente reciclável e infinitamente reutilizável, cuja recolha permanece estagnada em Portugal.  

A Quercus defende o regresso da tara retornável como forma de incentivar a reutilização, lembrando que países como a Alemanha, a Dinamarca, a Finlândia e a Croácia já incluem o vidro em sistemas semelhantes. A decisão de excluir o vidro do Volta ficou sujeita a revisão em 2027.

Para a hotelaria, que serve diariamente vinhos, águas e bebidas em garrafa de vidro, este deve ser um tópico a acompanhar de perto.

O que podem os hotéis fazer já com o sistema Volta

O sistema Volta não exige uma reinvenção da operação de um dia para o outro. Mas é um sinal claro da direção que a regulação vai tomar. Algumas medidas concretas:

  • Rever o minibar e o F&B

Que embalagens têm o símbolo Volta?
Os colaboradores sabem identificá-lo e explicá-lo?

  • Adaptar os outlets de lazer

Criar pontos de recolha nos espaços ao ar livre, integrados no design do espaço, e incluir o tema no onboarding das equipas de verão.

  • Comunicar com o hóspede

Os turistas estrangeiros provavelmente desconhecem o sistema. Uma nota no quarto, no menu ou no bar pode transformar um momento de confusão num ponto de diferenciação positiva.

  • Antecipar o vidro

Apostar já em fornecedores com alternativas de menor pegada ambiental posiciona o hotel à frente da regulação e alinha com as expectativas crescentes dos hóspedes em matéria de sustentabilidade hoteleira.

É relativamente fácil colocar um cartão no quarto a pedir que os hóspedes reutilizem as toalhas de banho. É mais exigente e mais relevante integrar práticas de sustentabilidade na operação real do hotel. O sistema Volta é um ponto de partida concreto, com impacto mensurável: a meta nacional, segundo a Quercus, é atingir 90% de recolha de embalagens até 2029.

O hóspede de hoje, especialmente o internacional, nota a diferença entre um hotel que apenas fala de sustentabilidade e um que implementa medidas efetivas para a atingir. Uma lata recolhida num bar de piscina não vai mudar o mundo, mas um sistema bem implementado, comunicado com clareza e alinhado dentro das equipas, sim. E começa exatamente aqui.

A Host pode ajudar

Gerir estas mudanças operacionais é mais simples com as ferramentas certas. Se quer perceber como o seu hotel pode adaptar os seus processos e tirar partido das soluções Host, fale connosco.

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